Pergunte o que impede as cidades de criarem hubs de mobilidade mais inteligentes e obterá uma resposta aparentemente simples: a viabilidade económica, a oposição dos residentes ou os silos internos. A realidade é mais complexa: são todos estes fatores, interligados. Resolve-se um e o seguinte já está à espera. E, no centro deste emaranhado, estão duas questões de que ninguém gosta de falar numa conferência: quem é proprietário dos dados e quem paga o quê.
Imagine um novo bairro a surgir junto a um grande recinto. Numa cidade típica, um departamento trata da construção, outro da mobilidade e um terceiro do estacionamento. Cada um tem as suas competências, o seu orçamento e os seus próprios indicadores de desempenho. Para criar algo verdadeiramente inteligente e eficiente em termos de espaço, todos têm de estar alinhados — e isso é difícil antes mesmo de chegar a primeira fatura.
Porque, por detrás do problema de coordenação, existe uma questão financeira. Um parque de estacionamento pode servir participantes em eventos, residentes e passageiros pendulares, mas os seus custos ficam repartidos por departamentos que apenas veem a sua parte. Quem financia o recinto, quem suporta a operação e quem é proprietário da infraestrutura? Quando a construção de um hub de mobilidade é dispendiosa, os retornos raramente se enquadram no orçamento de um único departamento — e até o melhor plano de viabilidade económica fica bloqueado se ninguém conseguir captar o seu valor.
Não se eliminam silos com um diapositivo de PowerPoint. Mas é possível torná-los muito menos impeditivos dando a todos uma visão fiável e comum do que está a acontecer. É aqui que entram os dados de estacionamento e mobilidade.
Há uma lógica que as cidades exprimem cada vez mais. Como afirma Willem van Heijningen, estratega do Departamento de Mobilidade e Espaço Público da Cidade de Amesterdão: "Somos proprietários do espaço público, incluindo dos lugares de estacionamento aí existentes. Somos também responsáveis pela sinalização que indica para onde ir… Para mim, é lógico que sejamos igualmente proprietários dos dados de estacionamento." Tem razão — e os parceiros devem apoiar este princípio, não contrariá-lo.
O valor não está nos dados em si. Está na relação que estes tornam visível. Ao reunir as diferentes fontes, torna-se finalmente possível ver a oferta e a procura lado a lado — quantas pessoas estão a chegar, com que perfis, e quantos lugares de estacionamento estão disponíveis.
E os visitantes não são todos iguais: alguns necessitam de um lugar acessível, outros vêm em família, alguns chegam cedo e outros mesmo a tempo. Quando estas necessidades correspondem à disponibilidade real, todos têm uma melhor deslocação — e a zona torna-se mais habitável. É para isso que os dados servem neste contexto. Não para criar painéis de controlo, mas para fazer melhores correspondências.
É aqui que um parceiro tem de ser rigoroso quanto ao seu próprio papel. Os dados de estacionamento devem permanecer sempre com o cliente — seja um operador privado de estacionamento ou a cidade. O nosso trabalho não é retê-los. É ajudar a recolhê-los e analisá-los de forma normalizada e segura, disponibilizando depois as ferramentas necessárias para lhes dar sentido.
Esta distinção é mais importante do que parece. Uma cidade como Amesterdão já está a fazer a parte mais difícil: reunir informação de uma dúzia de fontes, interpretá-la e ajustar as políticas com base nela. A última coisa de que precisa é de uma situação de dependência que transforme os seus próprios dados num ativo de terceiros. A abordagem certa é a oposta: dados normalizados e portáteis, interfaces abertas e ferramentas de análise que reduzem, em vez de aumentarem, as barreiras à obtenção de conhecimento.
É este o princípio subjacente ao SKIDATA Connect — não mais uma camada sobreposta à complexidade, mas uma infraestrutura comum que a suporta, para que o estacionamento na via pública e fora dela funcionem como um único sistema e dados fiáveis fluam para as plataformas de transporte e MaaS já existentes na cidade.
Linköping é a prova mais clara: mais de 18 parques de estacionamento no SKIDATA Connect, estacionamento na via pública e fora dela como um único sistema, controlo total sobre todos os dados dos utilizadores e sem qualquer plataforma de terceiros pelo meio.
Florença aplica o mesmo modelo em grande escala — 15 instalações e mais de 6.000 lugares geridos como um só, sem bilhetes de ponta a ponta, com receitas de 14,78 milhões de euros em 2024.
E em Amesterdão, a mesma plataforma integra-se com os direitos nacionais de estacionamento através do Servicehuis Parkeren — dados normalizados, seguros e nas mãos da cidade.
"Conectado" é uma palavra excessivamente utilizada, por isso sejamos concretos. Na prática, significa interfaces abertas, dados normalizados e, com igual importância, trabalhar com parceiros que partilham o mesmo objetivo. Uma experiência sem interrupções não pode resultar de um único sistema; exige a cooperação de vários intervenientes em torno de uma finalidade comum.
Por isso, o verdadeiro passo seguinte não é mais uma plataforma. É diálogo aberto, cooperação honesta e a coragem de testar soluções na complexidade de uma cidade real. Elimine os silos chegando a acordo sobre normas e sobre quem é proprietário de quê. Mantenha os dados com o cliente. Escolha parceiros que pretendam alcançar o mesmo resultado. Ao fazê-lo, a viabilidade económica, a adesão e a coordenação tornam-se mais simples — porque nunca foram, de facto, problemas separados.
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